Na Inglaterra do século XVI, quando Shakespeare era um jovem estudante, as escolas tinham aulas de segunda a sábado, das sete da manhã às cinco da tarde. Os nomes dos professores da "Grammar School", a escola que o dramaturgo estudou, são conhecidos. A escola ficava em Stratford, uma pequena cidade do interior, que tinha à época uma população de apenas cinco mil habitantes.
Não foi por acaso que a Inglaterra, uma pequena ilha europeia, montou o maior império que o mundo já viu. O fato de uma cidadezinha interiorana ter uma escola pública primária com aulas em período integral, inclusive, aos sábados, prova que os ingleses tornaram-se tão poderosos por acreditarem muito cedo na importância da educação para o desenvolvimento de sua ilha.
Os últimos estudos acerca dos índices de excelência da educação no Brasil trazem grandes preocupações. Principalmente, os que se referem ao ensino básico. As estatísticas apresentam números que mostram que os alunos estão tendo um aproveitamento baixo e insatisfatório.
Uma das mais famosas teses apresentadas como principal fato de desenvolvimento de uma nação é o investimento em educação. Um dos exemplos mais citados quando se quer apresentar exemplos concretos desse fato é o caso da Coréia do Sul, que em poucas décadas, com maciços investimentos em educação, deu um grande salto de desenvolvimento, tornando-se uma potência.
O que ainda não notamos, ou se notamos, nada fizemos para mudar, é a situação enfrentada pelo professor no Brasil. O problema da educação não está somente nos alunos ou na escola, mas nos professores. Nenhuma categoria profissional pode ser tão desprestigiada no Brasil quanto à dos homens e mulheres que educam nossos filhos. Pergunto agora, por quê? Por que um policial, um médico, um técnico têm um salário o dobro, o triplo e até mais do que o de um educador?
O que faz com que um ascensorista ou um técnico do Governo ganhe mais do que um professor doutor de uma universidade federal, centros da excelência universitária do Brasil? Alguém sabe o que é fazer um doutorado, ficar estudando um assunto quase seis anos após a graduação? Quem estudou sabe. Os governos não sabem.
Greves de professores em universidades públicas é um assunto tão banal que a imprensa não comenta mais. A situação dos professores da escola pública é de dar vexame. Ganham salários infames. É até irônico: quando um profissional quer dizer que pertence a uma categoria humilde e mal paga, compara-se logo a um professor. Os professores são tratados com profundo descaso no Brasil.
Nos EUA existe uma homenagem ao Professor do Ano. O professor é recebido pelo Presidente dos Estados Unidos em cerimônia e recebe uma condecoração por sua dedicação ao magistério. Todos os órgãos de imprensa noticiam o fato com destaque. Por que não tentar algo parecido aqui? Estou dizendo o mínimo para começar.
A revolução necessária passa por um trabalho urgente de valoração e estímulo ao trabalho dos professores. A situação do professor parece estar contida no monólogo "ser ou não ser", de Shakespeare no verso: "as humilhações que o homem de mérito recebe dos indignos". Os professores têm mérito e os governos são indignos. Os professores precisam de duas coisas: salário e respeito.
Theófilo Silva [1]
é articulista colaborador da Rádio Moreno.