Nós, que há milênios éramos nômades sem deus, na caça do alimento de cada dia, hoje temos endereço certo, escova de dente, sabonete e desodorante. Nós, que há quinhentos anos vivíamos apenas quatro décadas, duplicamos nosso tempo de vida sobre a terra. Nós, que há um curto século só dispúnhamos de ferramentas rudimentares, ora temos luz elétrica, rádio, TV, geladeira, computador, internet, telefone celular.
A despeito de todo o progresso, a violência parece ter nos acompanhado desde a gênese, e ora temos tantas violências que nos custa enumerá-las: violência no campo, urbana, doméstica, simbólica, física, sexual, moral, psicológica, policial, bullying e cyberbullying. Estaríamos eternamente condenados a conviver com a violência? Nós, outrora canibais premidos pela fome, ora somos bestas a saciar outras ancestrais fomes inconfessáveis? Teria Caim impingido sua marca indelével na alma da humanidade?
Na escola, espelho da sociedade, palco de tantos conflitos inerentes a uma organização tão complexa, pipocam violências a princípio sem grande importância, que podem se transformar em violências graves: brincadeiras maldosas, apelidos, palavrões, sarcasmos, empurrões, brigas.
Haveremos de falar e retomar o tema violência até como uma catarse cotidiana, como um processo de depuração. Haveremos de nos lembrar da herança do processo civilizatório, haveremos de promover a convivência pacífica entre todas as pessoas que fazem parte do ambiente escolar. A escola há de ser o espaço manso no qual professores e estudantes possam desempenhar suas funções com tranqüilidade. Não podemos permitir que a escola seja arena para espetáculo tão vil.
Magno Rocha Ramos [1]
Diretor CEF 16 Taguatinga-DF